O que é o IAB TCF?
O Transparency & Consent Framework (TCF) é um padrão da IAB Europe, a associação do setor europeu da publicidade digital. Foi criado para sites e apps que ganham dinheiro a mostrar anúncios de outros.
Quando vendes espaço publicitário, dezenas ou até centenas de fornecedores de ad tech podem licitar, nos bastidores, em cada visualização de anúncio. Cada um deles precisa de saber se o visitante deu consentimento e para quê. O TCF normaliza isso: o teu banner de cookies regista a escolha numa cadeia codificada, a TC string, e todos os fornecedores a leem da mesma forma.
Para que isto funcione, o TCF usa uma lista fixa de finalidades, como "utilizar perfis para selecionar publicidade personalizada" e "medir o desempenho da publicidade", e a Global Vendor List: os fornecedores registados na IAB Europe. O framework é revisto regularmente; a versão atual, o TCF v2.3, é obrigatória desde março de 2026.
Quem precisa dele?
Precisas do TCF se vendes espaço publicitário, ou seja, se mostras anúncios de outros no teu site ou na tua app. Por exemplo, através de:
- Google AdSense, Google Ad Manager ou AdMob;
- outras redes de publicidade ou plataformas de publicidade programática;
- header bidding, em que várias partes licitam pelos teus espaços publicitários.
Para os produtos da Google, este é um requisito firme. Desde 16 de janeiro de 2024, os editores que servem anúncios personalizados a utilizadores no EEE ou no Reino Unido têm de usar uma plataforma de gestão de consentimento (CMP) certificada pela Google e integrada com o TCF; para a Suíça, isto aplica-se desde 31 de julho de 2024. Sem uma, o teu tráfego deixa de ser elegível para anúncios personalizados da Google e recebe, no máximo, anúncios não personalizados ou limitados.
Isto diz respeito sobretudo a sites de notícias, blogs e sites de comparação que vivem das receitas publicitárias.
Quem não precisa dele?
A maioria dos sites não precisa do TCF:
- Lojas online, mesmo que faças publicidade com o Google Ads ou a Meta.
- Sites empresariais, mesmo com Google Analytics, a LinkedIn Insight Tag ou outras tags de marketing.
- Blogs e sites sem anúncios de terceiros.
- Empresas de SaaS e outros sites que angariam clientes, mas não vendem espaço publicitário.
A diferença está na direção. Se fazes publicidade, compras anúncios e medes os resultados no teu próprio site. Precisas do consentimento dos teus visitantes e, se usas a Google, do Google Consent Mode v2. Se mostras anúncios, vendes espaço a outros, e só aí entra o TCF.
| A tua situação | Consentimento via banner de cookies | Google Consent Mode v2 | IAB TCF |
|---|---|---|---|
| Loja online ou site empresarial com Google Ads e Analytics | Sim | Sim | Não |
| Site apenas com Meta Pixel ou LinkedIn Insight Tag | Sim | Só com tags da Google | Não |
| Blog ou site de notícias com Google AdSense | Sim | Sim | Sim |
| Site com Google Ad Manager ou header bidding | Sim | Sim | Sim |
Porque não ativá-lo só por precaução?
Ativar o TCF quando não precisas dele só tem desvantagens:
- Um banner mais complicado. Os visitantes veem uma longa lista de finalidades e, por vezes, centenas de fornecedores, muitas vezes também com interruptores de "interesse legítimo". Isso é difícil de compreender e normalmente reduz a percentagem de visitantes que dão consentimento.
- Mais manutenção. Tens de decidir que fornecedores permites, e a lista de fornecedores e as regras do TCF mudam a cada nova versão.
- Nenhuma vantagem. A Google não exige o TCF aos anunciantes: para o Google Ads e o Analytics, o caminho habitual é o teu banner mais o Consent Mode v2. As tags de publicidade da Google conseguem ler uma TC string, mas só se ativares isso deliberadamente.
O próprio TCF também tem estado sob escrutínio jurídico. Em 2022, a autoridade belga de proteção de dados concluiu que o framework violava o RGPD. Em março de 2024, o Tribunal de Justiça da UE decidiu que uma TC string pode constituir um dado pessoal e que a IAB Europe pode ser responsável conjunta pelo seu tratamento. Em maio de 2025, o Tribunal dos Mercados belga anulou a decisão da autoridade por motivos processuais, mas confirmou a coima de 250 000 € e considerou que a IAB Europe só é responsável conjunta pelo tratamento das TC strings. Desde então, a IAB Europe adaptou o framework.
O que precisas em vez disso
Para um site sem anúncios de terceiros, isto basta:
- Um banner de cookies que peça primeiro o consentimento, com "Aceitar" e "Rejeitar" lado a lado.
- Bloqueio até haver consentimento: os cookies de marketing e de estatística só carregam depois de o visitante aceitar.
- Google Consent Mode v2, se usas o Google Ads ou o Google Analytics. Vê O Google Consent Mode v2 explicado.
- Uma política de cookies e prova de consentimento.
O Cookie Confirm cobre estes quatro pontos com um banner curto e claro, sem uma lista de centenas de fornecedores. Se mostras anúncios através do Google AdSense ou do Ad Manager, verifica se o teu banner de consentimento está certificado pela Google para o TCF.
Fontes
- IAB Europe: Transparency & Consent Framework
- IAB Europe: transição para o TCF v2.3
- Ajuda do Google Ad Manager: requisitos de gestão de consentimento para a publicação de anúncios no EEE, no Reino Unido e na Suíça
- Ajuda do Google AdSense: novos requisitos de consentimento para o tráfego na Suíça
- Ajuda do Google Ads: integração do Google Ads com o IAB TCF
- Autoridade belga de proteção de dados: o TJUE responde às questões prejudiciais no processo IAB Europe
- Autoridade belga de proteção de dados: o Tribunal dos Mercados pronuncia-se no processo IAB Europe
- TJUE: processo C-604/22, IAB Europe